sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Desculpas
Acho que só me arrependo de uma atitude que tive até hoje, daquela noite que te liguei lembra? É, foi apelo de outro amor, e pelo "e se" resolvi atender as cobranças dele. Que bobagem, né, e isso já fazem quantos anos? 3?4? Mas findou-se, mudei. Se pra melhor? Não sei, sei que hoje sou mais feliz comigo. Mas uma pessoa que admite ter saudades, admite ter errado, admite estar com vergonha de tudo isso... Talvez essa seja minha melhor parte hoje, saber admitir.
Não gosto de me apoiar em explicações sobre o que e por que fiz. Sigo pensando que fiz por que achei que tinha de ser feito, e por incrível que pareça, não foi nem meu coração que escolheu, fui racional, fui pelo caminho mais fácil.
Se deu certo? Não. Se me arrependo de ter tentando? Também não. Me arrependo só das palavras, da atitude.
E desse jeito meio torto é que peço desculpas.
E só por aquele telefonema, aquelas palavras.
Por que não me arrependo nem por um minuto de ter me apaixonado por você naquela época ou de ter feito você se apaixonar.
E sempre que ouço TM ou Oswaldo Montenegro lembro de você...
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Sabedoria Anual...
Hoje em um simples ato voltei a pensar em uma coisa tão óbvia, mas tão difícil: por que todo ano temos que imaginar que o próximo será melhor?
Qual ato foi esse? Joguei meu calendário de mesa no lixo. Isso mesmo, segurei-o na mão, aquele lugar onde esteve guardado todos os meus principais compromissos, médicos, provas, shows, festas, TPM, e sem dó nem piedade joguei no lixinho que fica em baixo da minha mesa.
E em um impulso fiquei olhando para ele... lá... desolado, triste, como meu ano...
Pensei que meu ano com certeza não tinha sido o meu melhor ano pra mim... mas foi o ano que fiz mais coisas que gostava... show maravilhosos... viagens inesquecíveis... mudanças... crescimento...
Por que então misturando todas essas felicidades meu ano não poderia ter sido perfeito? Por que em mim ainda faltam algumas esperanças e sobram algumas mágoas?
Talvez seja essa a equação da vida... e tudo tenha que ficar equilibrado...
E por que não dizer que esse ano foi maravilhoso? É tão dificil descobrir que mesmo com tantas coisas ruins aconteceram coisas maravilhosas que valeram a pena...
É... descobri jogando meu calendário no lixo que meu 2006 nunca vai sair da minha cabeça (e nenhum outro)...
Ano novo faz com que pensemos em tantas coisas não?
Não esqueçam de "curtir" no menu ao lado... Mesmo se acharam uma bosta... pelo menos vocês leram até o final, né?
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Carta de amor n° 1
Se sinto sua falta? Lógico, mesmo perto assim, sinto sua falta. E apesar de perto está longe e apesar de longe está dentro... Nosso amor é um paradoxo, desculpe, amor não, nossos sentimentos um pelo outro.
Lembro que no começo ria de mim por eu não saber ao certo se te amava, se estava apaixonado. E depois de um tempo duvidava de mim quando disse que sim, sabia, agora era amor... sei que é difícil perceber, sei que apesar dos anos, dos encontros e desencontros, fica difícil saber o que é... mas parei de tentar entender, sei que tudo evoluiu para um sentimento tão tranqüilo, tão sereno... Não só te amo, te admiro, sei a pessoa que se tornou, sei a mulher linda que tem por dentro... e hoje... só por hoje,minha flor, saiba que tenho em meu peito a dor e a felicidade ao mesmo tempo.. Dor por ter te perdido, talvez para tempo, ou mais concretamente para o homem que decidiu chamar de marido e levar ao altar, ou para teus filhos que foram gerados dentro desse novo amor... E felicidade, anjo, não sabe quanta felicidade guardo em meu peito por ter ao menos, uma vez na vida, conhecido o amor...
terça-feira, 5 de abril de 2011
Dois pelo preço de um...
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Culpada
Até houveram algumas tentativas de minha parte. Faltam números para falar de todas as vezes em que engoli a seco os desaforos e atos que um dia desaprovei. Eu vi minha personalidade, um de meus únicos troféus, virar pó.
E eu tenho certeza de que todas as culpas são minhas. Eu não quis desistir. Não aceitei a idéia de meio castelo ser desperdiçado. Fui só eu quem aceitou a condição de não ser a tua prioridade. Por menores que fossem os avisos que estavam pregados nas paredes, você me deixou pistas desde o início de que seria assim. Você em seu mundo. E eu com minha fantasia de que tudo poderia mudar. Você dizendo que me amava e eu fingindo que acreditar em suas palavras bastavam.
Foi mesmo o tempo que me cegou. E foi por comodidade que permaneci. Não pela financeira que sustenta milhões de casamentos. Não por nossos filhos que precisam de um referencial. Não por ter o seu nome carimbado em minha identidade.
Eu simplesmente transformei meu coração em um ser atrofiado, sem ousadia, que se contenta em ouvir apenas um eu te amo em datas festivas. Que não se importa mais em dormir com pés gelados e costas batendo em costas. Estou criando há 25 anos um coração acomodado.
A solidão e a indiferença tornaram-se com o tempo tão comum quanto a marca da aliança, quanto minha solidão nas sextas-feiras e domingos chuvosos.
Paixão e entusiasmo foram esquecidos como a nossa casa de praia, que recebe reparos apenas nas temporadas. Um cotidiano foi montado para ser seguido 365 dias consecutivos. E as promessas, beijos trocados todos os finais de ano duram tanto quanto uma garrafa de champagne, e tem o mesmo efeito tranqüilizante do álcool. E foi dessa forma, com nossos sorrisos de plástico e filhos bem educados que convencemos vizinhos e parentes de que somos um casal feliz. Que uma bela casa, uma conta bancária de saldo positivo e restaurantes caros aos finais de semana são o bastante para manter um casamento estável. E até você foi convencido pela teoria. Teve todos os seus sonos profundos durante esses anos que dormiu ao meu lado, sem ao menos pensar em mudanças, sem nem ao menos pensar em me deixar, em deixar essas mentiras.
Mas todos estão mesmo certos ao relacionarem tudo isso à estabilidade. Tola mesmo sou eu em perceber aos 40 anos que estabilidade não completa ninguém, que tudo que você me deu foram sentimentos supérfluos que não podiam me fazer feliz, que esse casamento não me envolveu nem por um segundo e que faz muita falta o gosto do risco, do medo de perder e dos ciúmes bobos.
O caos começou, foi agora com a maturidade e não quando eu disse sim pra você em frente a um padre. E a culpa realmente é toda minha.
Ainda não acredito que consegui, como se teu corpo estivesse ao léu, como se tua carcaça fosse apenas mais uma peça morta, como se fosse um animal ao relento e eu te chutasse as entranhas. Toda aquela angústia que eu sentia ao ir me aprisionando em teus braços foi extraído de mim de uma só vez, e o alívio foi se tornando a resposta às dúvidas que eu tinha.
Era ali, ao lado do teu caixão que consegui dizer tudo a você, no começo aos prantos e depois com calma e a leveza de quem conquistou uma etapa na vida, apesar de triste, eu estava feliz, vendo que teu corpo estava em paz, daquele mesmo jeito, deitado, estático como ao longo dos anos ficou ao meu lado. E vi ali, que era o melhor jeito que ficava, lembrei que apesar do tempo, das brigas, da indiferença, eu ainda amava ver você dormindo. Aqueles teus olhos castanhos que me encantaram no dia em que fomos a aquele show de dezembro, que me abraçou tão forte e me falou que queria me ter pela primeira vez, agora vendados pela tua pálpebra, eram meu consolo, de que apesar de ter me prometido honras, fidelidade e amor até que a morte nos separasse, você ainda achava que tudo aquilo tinha acontecido. Que o tempo que passou longe de mim e das crianças, viajando ou gastando seu tempo em jogos caros e happy hours com seus amigos, não tenha lhe causado tanta ausência de vida quanto causou a mim.